Encontrar Alê Kali foi contato imediato de 1º grau: de AMOR. Esguia, reta no passo, a emoção inteira em cada gesto, Alê se distingue imediatamente da multidão. Despojada de tudo, nessa sociedade de tantos invólucros e títulos, ela logo mostra a que veio:  sua palavra de fé soa musical e afinada com seus sonhos e desejos. 

 

Como uma perfeita Iaô (ìyawó, em Iorubà), Alê cuida bem do dom que Deus lhe deu. Canta com Asé, reverência e gratidão. Segue seu Orí com altivez.

 

Alê rima com dendê, é pimenta doce. Tem a teimosia de quem sabe o valor maior do novo. Ela passeia com intimidade por todos os ritmos e sons, dona do pedaço, da ginga, da raça. Sambista? Não senhor, por favor! Alê não é só uma sambista, ela vai muito além. Seu samba é sofisticado, é sutil. Ela é África e é contemporânea, é raiz e modernidade. É canção-balada apaixonada. É suingue explícito.

 

O talento de Alê junta uma imensa delicadeza com a certeza do guerreiro. Ela vem DA BAHIA com todos os seus badulaques, e seus músicos dão seu recado brilhantemente. A sua música é mel e fantasia, aventura e novidade. Flor valente, que distribui generosa toda a beleza forte e o encanto que sente.

 

E agora, para todos nós, Alê Kali em disco: um grande presente.

 

por Sonya Prazeres, compositora